Esses
dias me peguei pensando em como a expectativa da beleza é pesada. Tentei
imaginar uma sociedade em que a beleza (física) não fosse importante, em que a
beleza passasse despercebida aos nossos olhos. Em que ao ver uma pessoa na rua,
não pensássemos se ele ou ela é bonito ou feio. Em que ao conhecer uma pessoa
em alguma ocasião, tivéssemos que nos empenhar para realmente conhece-la, pois
a beleza física não nos seria mais aparente, então teríamos de cavar para achar
a interior.
Seria
muito mais trabalhoso, e muito mais interessante. E seria libertador.
Qual
seria a sensação de andar na rua sem se preocupar com olhares, tanto de
reprovação, aprovação ou assédio? Como seria a sensação de segurança ao
conversar com alguém que nos interessa por saber que não seríamos julgados primariamente
por nossa aparência? Me parece tão libertador. Isso até nos estimularia a
melhorar como seres humanos, já que não poderíamos contar com a beleza física
para atrair alguém, possivelmente nos trataríamos melhor, sem interesses
secundários, sem preconceitos. É possível que isso também tivesse seus lados
negativos, mas no momento só consigo pensar em como seríamos melhores. Se num
primeiro contato, é a beleza física que parece ditar se vamos ou não nos
interessar por alguém, ou até como vamos tratar as pessoas, pois infelizmente a
aparência influencia muito em como nos tratamos.
No
caso dos relacionamentos, o “jogo” ficaria mais justo, o campo mais aberto,
todo mundo seria uma opção, as pessoas conversariam mais, seriam eliminados
aqueles que tivessem um caráter desagradável, os que não fossem honestos,
gentis, bondosos, verdadeiros. E as pessoas que hoje não parecem fisicamente agradáveis,
mas tem o interior tão lindo quanto a natureza, teriam uma chance para o amor
que merecem. Mulheres não seriam mais enganadas por homens lindos com a personalidade
de um prego. Homens não precisariam se preocupar em ter o corpo modelado e
forte para atrair mulheres que apenas se preocupam com seu dinheiro ou carro.
Mulheres
teriam mais liberdade ao andar na rua do jeito que são, sem se preocupar tanto
(perceba que eu disse tanto) com o fato de sua beleza atrair homens sem
escrúpulos que querem seus corpos e vão toma-los apenas por quererem. A beleza
não seria a primeira coisa que pairaria sobre seus olhos. Talvez fosse mais
seguro ser mulher.
As
pessoas se vestiriam bem e se cuidariam fisicamente apenas como um complemento
de quem são, de um amor próprio que depende muito menos de uma carne temporária,
mas sim de uma personalidade firmada em quem realmente são. Seríamos mais
confiantes, seguros, bem-humorados, amáveis, respeitosos, compreensíveis e
talvez até mais empáticos. Seríamos mais humanos.
Isso
não resolveria todo o problema da humanidade, mas tiraria de nós alguns pesos
com os quais convivemos e às vezes nem percebemos. Como por exemplo, o peso de
ser desejável e atraente nas redes sociais. Seríamos apenas nós mesmos
compartilhando nossas vidas, sonhos, cotidianos e rotinas. Seríamos apenas quem
nós somos sem esforço para caber. Sem esforço para sermos enquadrados em
padrões aceitáveis. Sem esforços para sermos aceitos. Sem medos de
ridicularizações por causa da nossa pele, cabelo, olhos, bocas, narizes,
barrigas, braços, pernas, pés.
Posso
ter viajado bastante, mas foi gostoso apenas imaginar... Quão profunda seria a vida. Porque afinal de contas, o que é a beleza senão superficial?
