E se beleza não importasse?

julho 12, 2018






     Esses dias me peguei pensando em como a expectativa da beleza é pesada. Tentei imaginar uma sociedade em que a beleza (física) não fosse importante, em que a beleza passasse despercebida aos nossos olhos. Em que ao ver uma pessoa na rua, não pensássemos se ele ou ela é bonito ou feio. Em que ao conhecer uma pessoa em alguma ocasião, tivéssemos que nos empenhar para realmente conhece-la, pois a beleza física não nos seria mais aparente, então teríamos de cavar para achar a interior.

       Seria muito mais trabalhoso, e muito mais interessante. E seria libertador.

    Qual seria a sensação de andar na rua sem se preocupar com olhares, tanto de reprovação, aprovação ou assédio? Como seria a sensação de segurança ao conversar com alguém que nos interessa por saber que não seríamos julgados primariamente por nossa aparência? Me parece tão libertador. Isso até nos estimularia a melhorar como seres humanos, já que não poderíamos contar com a beleza física para atrair alguém, possivelmente nos trataríamos melhor, sem interesses secundários, sem preconceitos. É possível que isso também tivesse seus lados negativos, mas no momento só consigo pensar em como seríamos melhores. Se num primeiro contato, é a beleza física que parece ditar se vamos ou não nos interessar por alguém, ou até como vamos tratar as pessoas, pois infelizmente a aparência influencia muito em como nos tratamos.

     No caso dos relacionamentos, o “jogo” ficaria mais justo, o campo mais aberto, todo mundo seria uma opção, as pessoas conversariam mais, seriam eliminados aqueles que tivessem um caráter desagradável, os que não fossem honestos, gentis, bondosos, verdadeiros. E as pessoas que hoje não parecem fisicamente agradáveis, mas tem o interior tão lindo quanto a natureza, teriam uma chance para o amor que merecem. Mulheres não seriam mais enganadas por homens lindos com a personalidade de um prego. Homens não precisariam se preocupar em ter o corpo modelado e forte para atrair mulheres que apenas se preocupam com seu dinheiro ou carro.
     Mulheres teriam mais liberdade ao andar na rua do jeito que são, sem se preocupar tanto (perceba que eu disse tanto) com o fato de sua beleza atrair homens sem escrúpulos que querem seus corpos e vão toma-los apenas por quererem. A beleza não seria a primeira coisa que pairaria sobre seus olhos. Talvez fosse mais seguro ser mulher.

     As pessoas se vestiriam bem e se cuidariam fisicamente apenas como um complemento de quem são, de um amor próprio que depende muito menos de uma carne temporária, mas sim de uma personalidade firmada em quem realmente são. Seríamos mais confiantes, seguros, bem-humorados, amáveis, respeitosos, compreensíveis e talvez até mais empáticos. Seríamos mais humanos.

    Isso não resolveria todo o problema da humanidade, mas tiraria de nós alguns pesos com os quais convivemos e às vezes nem percebemos. Como por exemplo, o peso de ser desejável e atraente nas redes sociais. Seríamos apenas nós mesmos compartilhando nossas vidas, sonhos, cotidianos e rotinas. Seríamos apenas quem nós somos sem esforço para caber. Sem esforço para sermos enquadrados em padrões aceitáveis. Sem esforços para sermos aceitos. Sem medos de ridicularizações por causa da nossa pele, cabelo, olhos, bocas, narizes, barrigas, braços, pernas, pés.

      Posso ter viajado bastante, mas foi gostoso apenas imaginar... Quão profunda seria a vida. Porque afinal de contas, o que é a beleza senão superficial?


You Might Also Like

0 comentários