Segui a rota de Deus

junho 10, 2017


     Essa semana eu viajei e passei por algumas cidades do sertão Pernambucano. Meu destino era Tabocas, um povoado de Exu onde meu irmão é missionário, esse lugar fica na divisa com o Ceará. Mas Deus começou a obra bem antes de eu chegar ao meu destino. Era pra eu viajar na quarta com meu irmão, mas sexta-feira eu tinha uma atividade do meu ministério (MPC – Mocidade Para Cristo), do qual eu sou vice-líder. Por causa desse compromisso corri o risco de não ir a Tabocas, pois meu irmão voltaria ao seu campo antes da sexta. Eu queria muito ir a Tabocas, mas não poderia faltar a esse compromisso, então deixei nas mãos de Deus, se fosse da sua vontade a minha ida ao campo missionário, ele tornaria possível. E ele tornou. Meu irmão teria que estar em um culto na sexta feira em uma cidade próxima à minha, então ele esperou por mim. Fui para a atividade da MPC na sexta à tarde. Nesse ministério, nós imergimos nas escolas durante uma semana, dando palestras sobre diversos temas da vida com cunho cristão, focando em Cristo e no último dia nós evangelizamos com músicas, peças e uma mensagem sobre a salvação. Havíamos feito essa semana de evangelização numa escola há um tempo e na sexta passada voltamos lá para rever os alunos e entregar-lhes algumas coisas. Eu particularmente não estava esperando nada daquele dia, queria apenas que terminasse rápido para eu poder viajar. Mas Deus tinha outros planos – geralmente Ele tem outros planos. No meio das minhas atividades – bem no meio mesmo – uma adolescente veio falar comigo e começou a desabafar. O tempo parou. Minha atenção estava totalmente dedicada a ela. Ela estava aflita. Comecei a lhe dizer algumas coisas, quando dei por mim, lágrimas brotavam dos seus olhos enquanto ela me ouvia. Não sei por quanto tempo conversamos, não lembro tudo o que eu lhe disse, mas quando terminamos de conversar, ela me abraçou e me agradeceu, disse que eu havia lhe dado alívio. Esse foi o começo.

     Então viajei com meu irmão para a cidade onde ele tinha um compromisso. Não vou contar tudo o que aconteceu, resumirei dizendo que eu estava nervosa e ansiosa porque teria que dormir numa cidade onde não conhecia bem as pessoas, e dormiria na casa de uma família que nunca havia visto. Eu estava aflita, minha natureza humana estava agitada de medo. Ansiosa. Eu sou tímida, minhas habilidades sociais são bastante limitadas (pode rir kkk). Mas Deus, ah Deus... Eu o vi pintando um quadro enquanto eu estava lá. Eu vi sua mão em tudo, tudinho. A família que me hospedou era parte da família de algumas pessoas que eu conhecia, isso tornou tudo mais fácil. Eu não fiquei só em um momento sequer, fui muito bem recepcionada, acompanhada, mimada! Aquelas pessoas cuidaram de mim como se soubessem como eu estava me sentindo, os medos que eu tinha. E eu vi Deus cuidando de mim através delas. No sábado a noite houve um culto na praça, foi um momento de adoração e refrigério para minha alma. Quando acabou, as pessoas voltaram para a igreja para lanchar. Eu me sentia um pouco cansada, queria dormir ou ficar só. Mas Deus tinha outros planos. Sentei-me na calçada da igreja e quando dei por mim as crianças da igreja estavam à minha volta, conversando comigo. Eu não me dou muito bem com crianças, tenho até dificuldade de lidar com elas. Mas naquele momento, era como se isso nem existisse em mim. Eu estava como elas no meio delas. Despida, alegre, atenta, ativa. De repente as meninas estavam sentando em meu colo, e me disputando. E em algum momento aquelas crianças me pediram para ficar ali na cidade, ajudando na igreja, trabalhando lá. Vi em seus olhos que me queriam ali. Que impacto eu tinha causado nelas, sem ao menos perceber? O que a alegria em mim trazida por elas fez? Como sem pretensão alguma, aquelas meninas me conquistaram e eu as conquistei?

     
(Um dos mimos que Deus me deu)


     Fui embora no outro dia, completamente grata a Deus pelos mimos que ele meu deu naquela cidade, nos momentos que vivi. Então cheguei a Tabocas! Era domingo e tinha culto à noite. Eu esperava sentar e ver como as coisas funcionavam ali, desfrutar do culto. Mas Deus tinha outros planos. Poucos minutos antes de o culto começar, a outra missionária do campo me disse que eu ia cantar. Comecei a perguntar a Deus: o que eu vou cantar? Faz tempo que eu não canto na igreja, acho que nem sei mais fazer isso. Que música vou cantar? Quando me chamaram para cantar eu ainda não tinha decidido isso, mas resolvi deixar Deus trabalhar. Então pedi para meu irmão tocar Espírito Santo (P. C. Baruk). Antes de a música começar eu falei algumas coisas sobre o Espírito Santo, sobre quem ele é, como ele age e comecei a cantar. Estava bonito e eu estava adorando verdadeiramente, mas algo me dizia que tinha algo errado e que aquilo não era suficiente. Abri os olhos. A igreja quase toda estava dispersa, conversando, “viajando”. Eu vi isso e aí... Explodiu. Não tenho outra palavra para descrever. Eu comecei a ministrar. Nem me lembro das coisas que disse, quando percebi, eu estava gritando! Quem me conhece sabe, eu não grito, muito menos cantando ou ministrando. Mas eu estava queimando. Eu sou tímida, não faço contato visual enquanto falo em público ou canto, mas eu olhei nos olhos de cada um ali. O Espírito Santo me dirigiu, me desfez e se fez em mim. Aquela não era eu, não podia ser. Eu não sei se aquelas pessoas receberam a mensagem que Deus deu através de mim, e essa sempre foi minha preocupação quando Deus me usava, mas naquele dia ele me ensinou que essa parte não é comigo. Minha missão é falar. Jeremias falava e anunciava a mensagem de Deus, mas as pessoas não ouviam, nem por causa disso seu chamado foi um fracasso, nosso chamado é um sucesso quando obedecemos. Essa é a vitória.

(meu irmão mora nesse quartinho ao lado da igreja)
(minha ministração)
     

     Estar em Tabocas tinha tudo para ser um desafio para mim. Tabocas é um povoado com menos de 1000 habitantes, não há muito para fazer lá, as pessoas dormem e acordam cedo. Há apenas uma igreja evangélica ali (a que meu irmão é pastor), que é também onde meu irmão mora. O quarto onde ele mora (complexo da igreja) não tem forro, e os morcegos habitam ali, a água não chega ao banheiro, então meu irmão tem de pegar água no poço, encher vários baldes para que possamos tomar banho e etc. Não tem pia no quarto, então a louça é lavada numa bacia com água, não podemos dormir no quarto por causa dos morcegos então dormimos na igreja com muitos insetos e um frio de lascar (tabocas fica praticamente numa serra, o lugar é muito frio). Não foi cômodo. E isso geralmente é um problema para as pessoas. Ninguém quer abrir mão do seu conforto para passar por essas dificuldades. Porque eu iria querer passar um tempo das minhas amadas férias naquele lugar? Eu não sei. Tudo que sei é que Deus me disse “vá” e eu fui. E como o “desconforto” dessa viagem me abençoou! Eu já tinha aprendido a lidar com essas coisas através de outras viagens missionárias, então isso não foi um problema. Eu só iria passar uma semana ali. Mas quero que você pense nas pessoas desse povoado, e pense nos missionários que estão lá. O povo de Tabocas é considerado um povo iletrado e ignorante. Vejo posts no facebook de pessoas insultando e criticando pessoas como as que conheci nessa viagem. Pessoas simples, de uma realidade diferente da nossa, da minha. Mas eu digo a você, de burro, aquele povo não tem nada. É um povo valente, guerreiro, trabalhador. Povo com suas dificuldades, dores, lutas e esperanças. Povo que precisa de Deus. Conheci ali pessoas cheias do Espírito Santo, que me deixaram claro que Ele não precisa de QI elevado para habitar, ele precisa apenas da disposição. Conheci pessoas apaixonadas pela obra e pela casa de Deus, que me mostraram que o amor de Deus excede denominações. Eu recebi tanto deles e aprendi tanto com eles. O povo de Tabocas é um povo querido por Deus, e agora também por mim. Em alguns momentos quando eu via que o Espírito de Deus tinha algo para dizer àquele povo e eles pareciam não ouvir, pensei que eles eram um povo de coração duro. A mensagem do evangelho me pareceu ser ouvida por eles como quem ouve a explicação de um cálculo matemático, não por ser complicado, mas porque não parecia interessante a eles. Senti dor em meu coração, senti dor por eles. Pois aquilo era tudo o que eles precisavam ouvir. Mas Deus colocou uma palavra em meu coração: processo. Às vezes nós queremos ver o fogo queimar de uma vez e ver vidas se rendendo a Deus imediatamente, mas nem sempre funciona assim. Aquele povo está em processo. Muita coisa precisa ser deixada e transformada neles, eles podem ter entendido a mensagem que estava sendo entregue, só Deus que sonda seus corações pode saber disso, mas talvez eles precisem caminhar um caminho um pouco longo até que as escamas caiam de seus olhos e aquilo lhes seja atravessado de fato. Cabe ao Espírito Santo, em seu tempo, de acordo com a necessidade e o caminhar de cada um, ensinar-lhes. Cabe a nós orar, e acreditar.


     E nesse texto enorme, venho pedir isso. A realidade que vi em Tabocas bateu de frente com a minha, e tocou meu coração profundamente. Aquelas pessoas precisam muito de Deus! Se você quiser e puder ajudar financeiramente, entre em contato comigo. Essa missão precisa de mantenedores, o pastor local precisa de ajuda também. Mas se você não puder ajudar financeiramente, sua oração chega até lá. Ore pelos membros da igreja para que eles sejam transformados por Deus e se mantenham firmes, ore pelos que frequentam, mas ainda não se entregarem, e ore por todo o povoado, para que ele seja alcançado. Ore pelo ministério do meu irmão, não tem sido fácil, mas creio que Deus o sustentará. Coloque Tabocas em suas orações. E mais uma coisa: Deus age quando a gente não espera, de maneira que a gente não espera. ELE É DEUS. Temos que deixá-lo agir, deixar ele ser Deus. Se você o tem, se ele está no controle, o resto não importa. Aceite os presentes, mimos, ensinamentos de Deus e viva isso a cada dia. Viva as aventuras que Deus tem preparado para você, sem medo. Segura na mão dele e segue! Se fizer isso, você vai se ver cada vez mais cheio dele e de experiências como essa que te contei. Viver com Deus vale a pena!

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