Fui agredida na universidade
maio 01, 2017
Assaltaram minha alma, levaram minha paz. Bateram em meu espírito, me deixaram no chão e continuaram andando enquanto eu pedia ajuda. Levantei apenas para ser surrada de novo, de novo e de novo. Fui pressionada para dar mais, muito mais, do que podia ou devia. Ouvi o que não podia. Tentei. Não foi suficiente. Me senti inútil, estúpida, incapaz. Meu corpo respondeu. A febre me fez companhia, o vômito completou a festa, o coração acelerado, a boca seca, o suor frio, o medo absurdo de abrir a boca e falar, já eram tão comuns que nem notei que estavam lá. Meus pensamentos me torturavam e me impediam de seguir em frente. Fiquei presa em um maldito looping de coerção, pressão, confusão. Tudo isso porque alguém se impôs. Esse alguém é o poder. Tomou para si a posição de que tudo pode, tudo sabe, tudo faz. Roubou de mim possibilidades, me deixou para trás. Pediu, dei, jogou fora. Não se importou, e não se importa. O poder é aquela pessoa que passa pelo caos, mas parece intocável, tudo e todos ao redor desmoronam, e ele, com sua face cínica, passa intransponível, inacessível, sorrindo, esfaqueando autoestima e sanidade. Roubando o sono, e a vontade de cada um que por ele passam. Ele não ouve os gritos, ou talvez ouça e os ignore. Ele não se comove pelas lágrimas, deixa que chorem, deixa que agonizem. Ele me destrói. Me arruína. Me paralisa.
Ah, não. Essa história não é só minha. Não é completamente minha. Mas tomei para mim, pois estórias são feitas para serem contadas. Caso você não tenha entendido as metáforas que usei, eu te explico. O poder é alguém, e esse alguém rouba de mim meu poder. E não estou aqui para oferecer uma solução. Para dizer o que se deve fazer. Muito menos para usar termos que definam todas as nossas quedas, lágrimas, febres, angústias e dores. Estou aqui para contar como isso aconteceu comigo e com todos os outros que tiveram o poder de si roubados.
A universidade é um lugar de aprendizagem, lá, construímos nosso futuro. Absorvemos o que um dia seremos e o que um dia usaremos. Encontramo-nos com vários poderes, muitos deles nos estendem a mão, outros, nos massacram. Estou aqui para falar daqueles que nos massacram. Estes nos exigem montanhas e que carreguemos essas montanhas calados. Nos exigem perfeição e não se importam se a lapidação corta de nós quem realmente somos. Estes nos guiam por um caminho e então nos machucam por escolher o que apontaram. Estes nos agridem dia a dia, semana após semana, mês após mês. Depois de tanto apanhar, resolvemos falar, na intenção que esse poder nos compreenda, nos ajude, nos socorra. Este poder me olha, mas não vê quem sou, não vê minha humanidade dilacerada, não vê minhas cicatrizes causadas por suas exigências e me manda embora, então vira para si em seu espelho e diz à sua imagem que fez o que podia, mais do que podia, que teve sucesso.
Mas não há sucesso para mim, se nada aprendi, apenas sofri! Não há sucesso para você que deu mais do que podia dar e mesmo assim ouviu que não foi suficiente. Não há sucesso para nós, que nos vemos sem saída, rodeados pelo caos, alvos de um sorriso maligno coberto da falta de empatia. Se não há sucesso, o que há? Há as nossas lágrimas, o nosso desespero, nossos sintomas espalhados por corpos que guardam espíritos dilacerados, exaustos, desistentes. Há uma pequena voz que pede para gritar. Mas nós nos calamos. Porque o poder parece ser maior do que qualquer voz. Ele é um gigante, nós somos crianças desesperadas, em perigo, sem abrigo para morar. Mas caro leitor, se essa história também é tua, permita-me perguntar: Crianças não deveriam aumentar?

0 comentários